O descontentamento com o povo brasileiro aumenta cada dia mais em mim. Já era para eu deixar de ser esperançoso, um amigo me disse para desistir de ter esperança, chega a ser engraçado isso tudo. Parece que a nossa sociedade brasileira civilizada quer sofrer, e ás vezes penso que talvez precisem mesmo de sofrimento para aprender com os erros. Passo um dia sem ver um carro em cima da calçada que já vou ficando alegre por aqueles motoristas; mas aí me lembro que passei o dia inteiro em casa, sem ver a rua. Certamente não veria a rua de dentro de casa, haveria um automóvel em cima da calçada da casa onde moro e tapando qualquer visão panorâmica; eles estão invadindo até as calçadas das casas que eles nem conhecem os moradores. Causa horror a forma que os carros são usados na nossa sociedade moderninha brasileira, carros que são verdadeiros trio-elétricos a desfilar suas tatuagens e outras quinquilharias, sem me aprofundar na nossa nova Música Popular Brasileira que é excretada dos auto-falantes de boca 2000 (a cada palavra que você lê aqui, uma banda popular de forró-arrocha-axé-pagosamba [eu sei; tem teclado, bateria, guitarra, pandeiro elétrico, atabaque, gaita, sintetizador, mais guitarra, contrabaixo e dançarinas peitudas; mas ainda é forró-arrocha-axé-pagosamba, não se engane] é formada) mal se conduzem em baixa velocidade, pois estão cerca de 2 fios de cabelo do asfalto mal macadamizado (acho que o dinheiro do asfalto foi para algum imóvel de algum ‘infiltrado’. Se eu descobrir, juro que transformo esse imóvel em móvel às pedradas) . Caminhões que já tiveram seus prazos de validade vencidos e passam a vomitar sua fumaça tóxica nos ares que vamos respirar e a derramar óleo no solo que iremos pisar passeando com as crianças. Carroças (realmente penso que são automóveis), igualzinha aos trio-elétricos anteriormente citados, só falta substituir o nosso amiguinho, que puxa a carroça e que é senciente e mesmo assim é escravizado, por uma parafernália motora e roncadora. Motocicletas que parecem ter vindo de fábrica sem os níveis baixos de velocidade e com manual ‘anti-regras do trânsito’, promovem ‘pegas’ com outros automóveis, ferem gente, destrói a natureza e matam seus pilotos mais do que o câncer e a AIDS juntos! O trânsito mata mais gente que tudo quanto é força que você puder imaginar (sim, mais que os habitantes do Rio de janeiro também). Eu realmente queria que o automóvel, nas condições que existe hoje, não existisse.
Mas é tudo bem conectado, fácil de ser entendido. O povo brasileiro, antes de tudo, não é inteligente. Ou pior (evidências fortíssimas de que isso seja verdade), não é inteligente porque não quer e se acomoda com sua ignorância. Assistimos boquiabertos de fascínio o espetáculo da insensatez no ano-novo; Rio: 25 toneladas de fogos de artifício, Florianópolis: 17 toneladas, Fortaleza: 15 toneladas; não sei ao certo quanto custou toda essa porcaria, mas um traque, que meu vizinho de 9 anos acende e estoura dentro do encanamento da minha casa, nem causa movimentação do ponteiro da balança da vendinha e custa 0,15 centavos; Faz a conta. - Que lindo! Queima dinheiro com isso aí pra eu ver aqui da praia as cores no céu cheio de paz do nosso apaziguado Brasil. A – Que lindo! Vamos queimar o dinheiro público com isso, já que o público gosta né? Nossa prefeitura é a que mais investe em sofisticação na queima de fogos, não é lindo? B – Mas depois não são eles que vem reclamar dos nossos hospitais? A - Pois é, a gente faz tudo por eles, uma modernização dessa no ano-novo, um espetáculo desses! Que povo ingrato!
É... Vocês elegem Kassab, aliás, elegem alguém para representá-los, reclamam de hospitais públicos, escolas públicas e bibliotecas públicas (dependendo do caso, reclamam de quem reclama, mata e rouba) , assistem maravilhados a queima de fogos (e eu acho que dá tanta gente na praia de Copacabana porque eles tem que VER a queima, pois o barulho dos estouros (de outros estouros) eles já estão acostumados a ouvir diariamente, e esse pipoco todo geralmente não mata muito, dá mais é queimadura pro povo ir aturar a irritação do médico do hospital que queria estar em Copacabana), que se preocupam com os presentes caros do natal das compras, é roubado por meninos imberbes e armados, escravizam animais antes de os comerem, sorriem falso para deficientes físicos no ponto de ônibus, mas não os toca para ajudar no embarque ao ônibus (a depender do caso, troça deles) , jogam moedas aos deitados nas ruas (a depender do caso, queima-os) , têm a meia entrada vetada (eu sei, é estudante, mas...) , força crianças ao trabalho intenso (a depender do caso, vende-as. Ou lhes dão cada dia um videogame da moda) , matam árvores, fabricam santinhos nas eleições em que você elegeu Kassab (se juntássemos todos os santinhos e informativos de campanhas políticas nas eleições, pesariam mais do que os fogos de artifício que foram estourados pra nossa satisfação ingênua) com as árvores que mataram, se candidata a vereador, dá dinheiro para a sua igreja evangélica (a depender do caso[brasileiro é esperto né?], funda uma), usam sacolas plásticas, joga comida no lixo (a depender do caso, come a comida que alguns jogam no lixo) , perde um parente que esperou demais na fila do hospital, compra livros, compra discos, compra meninas virgens no norte do país, financia a destruição da casa do seu futuro vizinho de calçada (você da calçada pra dentro e ele da calçada pra fora), desmata, faz parte da população que, por equivalência, tem o maior número de estupros e seqüestros(a depender do caso, estupra e seqüestra. Não necessariamente nessa ordem). Não me surpreende que o Brasil já esteja incluído na lista de países com fortes atividades sísmicas, a natureza (que é sábia) tem que se tirar do sufoco, tem que responder de alguma forma.
- Ah! Tempestades maléficas no Paraná.
Maléficas? Destruição é transformação e boa (veio da natureza, sábia). Só conseguimos ver o lado ruim das coisas, talvez porque não conseguimos pensar em longo prazo (ah, isso deve ser verdade, pois eu já soube de 5 prefeitos que tiveram seus mandatos cassados por comprovação de corrupção e foram reeleitos) , não vemos o benefício que essa transformação pode trazer, e a evolução que, por outros meios, só seria conseguida no decorrer de séculos. É bom que se destrua algumas coisas, no Paraná as pessoas estão até mais solidárias, sentimento de irmandade reinando lá. Muito bom ver os vizinhos se abraçarem e trocarem conversas magníficas, pois antes nem se falavam, gente resgatando dívidas antigas, refazendo laços, e acredito que isso vai contribuir muito para a sensibilidade e prosperidade de um estado que atualmente é tão preconceituoso. Mas o mais excitante alcance que podemos analisar em curto prazo: O porto de Blumenau foi completamente destruído! Porto que era responsável por 85% da exportação de carne bovina e 25% da carne suína do país, e outras atrocidades. Um papel que eu acho que devo cumprir, a natureza fez por mim, está todo destruído o porto que financiava o genocídio assombroso daqueles que vão para a sua mesa todos os dias.
Vi em uma parábola que há 3 tipos de aprendiz : 1) sofre , sofre, erra, erra, perde, perde , várias e várias vezes, mas um dia aprende. 2) erra, sofre e aprende a não errar novamente. 3) aprende com os exemplos dos erros e sofrimentos dos outros.
Então é isso, povo passivo, mal-educado e burro do Brasil de hoje, vos digo: se essa for a maneira mais rápida de evolução hoje, que vocês possam sofrer para aprender. Mas atenção: tente não fazer ninguém sofrer, reflita sobre suas ações, pois à medida que refletimos, agimos com sensatez; e à medida que agimos com sensatez, não ferimos alguém, e à medida que não ferimos alguém, não nos ferimos. Pura lei de ação e reação. (a depender do caso, vai terminar de ler esse texto e, depois de pensar que estou doido ou equivocado, comer um churrasquinho hein?)